Biografia
Se a bossa nova foi uma revolução na música brasileira – porque sofisticou o samba e o uniu ao jazz e virou produto de exportação – e movimentos como a Tropicália e os grandes festivais de música dos anos 60 podem ser considerados mini-revoluções – porque renovaram a MPB – que nome dar ao que aconteceu com o grupo Secos & Molhados? Fenômeno talvez seja a palavra mais próxima. Desses que insuflam em meio a um sistema estabelecido, fazem um grande barulho, modificam costumes, provocam polêmicas e estardalhaços e desaparecem. Feito um cometa. (João Nunes/Correio Popular)
O conjunto, vocal e instrumental, se formou em 1971 por Ney Matogrosso (Vocais); Gerson Conrad (Violão e Vocais), João Ricardo (Violão, Gaita e Vocais) e Marcelo Frias (Bateria e Percurssão). Ney já havia se apresentado como amador em Brasília DF, onde morava, e tentara o rádio e a televisão, além de cantar em boates, até ser apresentado pela compositora e cantora e compositora Luli a João Ricardo.

O grupo surgiu no inicio de 1973 em São Paulo SP, e em agosto do mesmo ano gravou o LP Secos e Molhados, pela Continental, com Sangue latino (João Ricardo e Paulo Mendonça), O vira (João Ricardo e Luli) e Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad e Vinícius de Moraes). O disco foi sucesso nacional, causo polêmica pela atitude ousada e performática possibilitando ao conjunto apresentar-se numa serie de espetáculos, entre os quais se destacam os shows no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro RJ, e no Ginásio Presidente Médici, em Brasília. No ano seguinte, o grupo exibiu-se na televisão mexicana, gravou seu segundo LP, Secos e Molhados, com Flores astrais (João Ricardo e João Apolinário), e Tercer Mundo (João Ricardo e Júlio Cortazar). Ainda em 1974 o conjunto se desfez, passando seus integrantes a atuar individualmente.

João Ricardo lançou um disco em 1975, João Ricardo, pela Philips, com suas composições Vira safado, Janelas verdes e Salve-se quem puder; apresentou-se no Teatro Bandeirantes, de São Paulo; e tentou depois ressuscitar o Secos e Molhados pelo menos quatro vezes, com diferentes formações, nenhuma incluindo qualquer outro membro original do grupo. Gerson Conrad ligou-se ao letrista Paulo Mendonça, a atriz e cantora Zezé Mota e a uma banda de oito elementos e gravou pela Som Livre Gerson Conrad e Zezé Mota, com Trem noturno e A dança do besouro (ambas com Paulo Mendonça). Gravou outros discos solo e continua compondo e fazendo shows.
Os discos abaixo correspondem à formação original dos Secos & Molhados.
Discos
1973
01. Sangue Latino (2:09)

02. O Vira (2:14)
03. O Patrão Nosso de Cada Dia (3:21)
04. Secos e Molhados - Amor (2:16)
05. Primavera nos Dentes (4:51)
06. Assim Assado (2:59)
07. Mulher Barriguda (2:37)
08. El Rey (0:59)
09. Rosa de Hiroshima (2:01)
10. Prece Cósmica (1:59)
11. Rondo do Capitão (1:03)
12. As Andorinhas (1:00)
13. Fala (3:18)
1974

01. Tercer Mundo (2:37)
02. Flores Astrais (3:53)
03. Não, Não Digas Nada (1:39)
04. Medo Mulato (2:20)
05. Oh! Mulher Infiel (1:32)
06. Vôo (2:34)
07. Angústia (2:47)
08. O Hierofante (2:16)
09. Caixinha de Música do João (1:06)
10. O Doce e O Amargo (1:54)
11. Preto Velho (1:03)
12. Delírio (2:41)
13. Toada & Rock & Mambo & Tango (2:17)
Estes discos e o restante estão no link abaixo (*)
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