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quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Túnel da Percepção


Pra matar a saudade, um texto das antigas...

Jaz no passado a percepção de um ideal voluntário às carências sentidas pela moldura do corpo; o coração é a arma mais completa no que se refere à realidade. Futuro de uma premissa real, o coagir do corpo pela fragilidade é aceitar a implantação dos sonhos no realismo de um livro de cabeceira - atraente, sedutor e confidente - real e virtual em suas entrelinhas, conciso e perfeito pela sua "capa"...

...No presente dado está o passado sucumbindo no contemporâneo afetivo: o saber de antes é a certeza do amanhecer...o por do sol se torna moldurável e o seu nascer cenário de uma obra bastante valiosa...a vida, os atos, a afeição e o encanto.

Voltando ao princípio, verdade que se preza é eleger a insanidade como tutora do ministrar de aulas de percepção...Túnel este que eleva a gratificação da compreensão e curiosidade...O que será? Algo revelador? Preceito de um princípio? Apenas o idealismo de uma situação, prazerosa pelo seu zelo e imprescindível para vida, de um, de outro, do tudo e do nada...Atores como personagens de um passado até hoje válido...História de um cálice tomado como troféu e compensação de um ato? Será? Que a vida se vanglorie através de oportunidades ocasionais...

...Que angústia, tal vida, dolorosa apesar de compensadora...caminhamos através de veredas buscando a liberdade de sentir a "morte"; que paisagem, tanto a do interno como a do céu em direção ao penhasco...caráter louco de uma pessoa perdida, que achava não encontrar valor no Nada e se enganava pelo Tudo...

...Suicídio louco o forjar do desespero, e logo o pular...sem o desfalecer da alma é mais divertido...alguém entrou numa imensidão negra...quem entende o quê...era a "morte" ou a vida...era a resposta da vida para esta suposta póstuma idéia...

...No escuro se encontrou perdido...para onde olhar...o que pensar...a coerência é a procura do virtuoso, do moral e do real...quanta agonia...luz, encontramos a razão, o foco de luz mediante a escuridão, a saída, a verdade, o amor de se ter a esperança no apaixonar da alma...

...Quantas perguntas, quanta vontade de amar, quero saber o ideal, quero viver o virtual no concreto...que a luz venha e nos sucumba...força, informação, paz...energia pura...vontade de se auto responder...a questão é o anseio por uma vontade desejada, a de uma celebração pelo dilema de tal "morte", energia que se solidifica num túnel de idéias...o Túnel da Percepção...o condensar de todas as idéias, todas as virtudes e iniqüidades presentes em todos...a libertinagem do pensar sendo revelada pela necessidade. A energia da informação, o emerger da "cultura sentimental", o buscar da realidade própria, individual, relacional, emocional, sexual e cultural...são as idéias de uma vida caminhando à uma velocidade fantástica...diferenciadas pelas suas formulações, funções e objetivos...é a vida sendo esclarecida.

Quanta coisa...seria loucura...vários ideais de vida caminhando lado a lado com este importuno mar de realizações...sendo uma idéia superior à outra numa progressão geométrica infinita de soluções...Será o caminhar para a perfeição através de uma mente intorpecida? Seriam várias pessoas concorrendo a um cargo medíocre onde o eleito é o idiota-mor? Que loucura...é a vida sendo consolidada pelo dia-a-dia, decisões, decepções e realizações que na sua gradatividade unem pessoas com afinidades comuns.

...Tendo agora a razão de uma perfeição assimilada...ou seria dissimulada...caminhou-se para o interior do cárcere celebrado pelo casulo onde todos insistem em viver...seria fácil voltar as veredas da justiça, aonde está o penhasco, a solidão, a vida...se jogaria ao chão agora? Desmaiaria de paixão e realização? Quanta insanidade é o pensamento de pássaros criados nas gaiolas impostas...cadê a liberdade, cadê a realidade...após o túnel abre-se o portal para o desconhecido e o rasgar dos céus se torna uma experiência nunca antes vivida...sempre almejada e agora adequada...peças que o significante caminhar pelas ruas do inconsciente sentimental nos pregam em prol da felicidade...o novo, o amor, a paixão...a vontade e o desejo sendo diferentes em tudo...é possível viver agora...a explosão de uma vida é caminhar a cada dia dentro de uma profunda floresta de desejos...lá somos recepcionados por duendes e nos embriagarmos pela felicidade de caminharmos juntos à mesa das ervas proibidas...a paixão, o amor e a realização...Live and let die or killing yorself to live...!
 
(*) Crônica escrita por Alessandro Borges no dia 15/11/2000 numa época de reflexões, um afago quanto ao  "real " de nós.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Mundo Novo

Os caminhos já se encontraram na harmonia de um sonho que se encontrou na idealização de um amanhã confortante e cuja espera acabara. Hoje voamos rumo a trajetos que de tanta magnificência se sucumbiram nas certezas que assumimos quando realçamos as pinceladas de uma tela que remeta a satisfação pessoal, temos a causa, a conseqüência e a vida posta em patamares que nos remetem as grandes veredas de um caminho majestoso e excitante.

Na vida o azul de um céu que se mostra uma diva sedutora, a brisa, o frescor de um desejo que nos alegra, a celebração do cosmos pela realidade que agora se expande rumo ao topo das vontades, muito desejo, intuição que realça o corpo quando se possui a mente, desejo que se sacia na “lisergia” de termos encontrado as portas que levam à real pretensão que nossas vidas assumem.

No sonho somos os magos de universos infinitos, somos a luz que irradia toda a energia de uma gratificante jornada pelo “eu quero mais”, a lentidão do prazer pleno, o caminhar que não nos remeta cansaço, a vitória sempre inevitável. O eu quero, o eu posso e o eu conquistarei.

Se precisávamos de alimentar o ego que se desnutria pela incerteza, abarrotaremos o estômago de satisfações crescentes no intuito de nunca mais assumirmos posturas reservadas quanto ao “talvez”. Somos a nova safra, a nova verdade, o realçar das tintas que foram restauradas no intuito de uma exposição que irradia a beleza, a leveza e a plenitude de sermos o “agora e para sempre bem”.

Quão lindo é o mar das ironias quando estas são vencidas pela real verdade que se escancara quando nos damos por vencidos, dizimamos as frustrações e vivemos as satisfações, a solução sem a martirização, a pretensão sem a inibição, o pudor que se explicita quando nos sentimos à vontade, a luz que mesmo quando a vela se esgota permanece em nossas mentes, nos mostrando que os caminhos são fáceis de ser trilhados mesmo de olhos bem fechados, são o mapa astral de nossa vontade, de nosso eterno preocupar, do procurar e encontrar respostas simples para situações realmente complicadas. O real sentido, a verdade de sentimentos que não comandamos, a energia de estar, fazer e conquistar.

Somos o camaleão das remotas possibilidades, somos o leão que devora as desistências, somos a vida que a morte morre de medo, um “deus” que coordena universos pessoais, criando, transformando e resolvendo possibilidades possíveis. O néctar dos sonhos que tratam a fantasia como uma tutora proeminente à razão, o sentido, a noção, a energia que sempre fluirá nos oceanos que se cruzam na eterna jornada velejada pelo navio chamado consciência e cujos marujos têm pseudôminos de ideais, posturas e descrições.

O intuito é o agora me limpei, a vontade é a sujeira que cheire bem, é olhar para o alto e avistar que o caminho restante para a escalada são apenas algumas rochas a mais para nos apoiarmos, é olhar para baixo e ver que o que passou já não nos preocupa. Um mundo novo, uma vida nova, um olhar para dentro, outro para fora, o sentir em níveis nunca conquistados, a realidade que através de sonhos mágicos se concretizam no estampar da perseverança, a vida que após testes e promessas agora se diz preparada: o caminhar lascivo, o entrelaçar de nossos corpos, nossa mente, nossa eterna casualidade que se emancipa pela vontade constante de nos encontrarmos por nós mesmos em alguns momentos e nos perdermos em outros.

Ao agora retrato a trouxa de roupa suja, ao amanhã realço a seda que de tão leve toque nos escancara a alma para a exposição involuntária das profundezas dos mares que nos possuem. O que se quer, o que se quis e o que iremos querer está nas respostas a anseios pessoais; somos a verdade que clama através de nossas mentiras, somos a realidade que só é possível através dos sonhos, somos um mundo infinito de soluções que o tabuleiro e o adversário guiam rumo ao xeque, depende apenas de nossos devaneios a postura pela qual nos afastamos de nossa sinceridade por nós mesmos.

O mundo novo é a vontade nova, a arma que se destaca de tantas outras que não vingaram por munições sem propósitos, a paixão que devora o desejo por ser mais constante, a vida que se escondia em vestes pobres e agora se realça por um glamour que exala à primavera, o florescimento das novas soluções, das novas propostas, do novo algo que surge pela subsistência que quer ser esquecida por ser realmente superior enquanto energia. Ao sonho, à utopia de sermos os astros que realçam as pinceladas da tela chamada vida, à realidade de assumirmos, de sucumbirmos e de ressuscitarmos de nossas carências, ao show de encontros e desencontros dos amantes e amados, ao curti e quero mais.

(*) Esta crônica foi escrita por Alessandro Borges em 06/06/2003. Um afago sobre a vontade, o desejo e a celebração a nós mesmos.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Chamado Interno

Somos a certeza de um sonho que se reflete na luxúria de sermos insaciáveis, a maneira mais conveniente de nos encontrarmos dispersos em vários oceanos de prazer. O descontrole concebível em realizações há tanto esperadas, sonhos e vontades, o encontro aos braços que podemos chamar de repleta rendição, a total harmonia entre o querer e o fazer, a conciliação anunciada do amor, da esperança e da realização de uma mínima parcela de vontade.
Suplicamos aos deuses as nossas divas, relembramos momentos e às vezes vivemos através deles. O sou já não é real, o estou seria a certeza do querer fazer valer, pra si, pra ti e para o tudo que tanto desejamos.
Ó jornada, ó esplendor de querer fazer, desejar, sonhar, viver, refletir em momentos de aceitação as vontades que tanto desejamos saciar. Hoje e amanhã, sempre. Velejemos e nos encontremos, caminhemos rumo ao desejo que nos incendeia, conquistemos o espaço que nos fascina tanto, na vontade, na certeza, na carência que desejamos ser preenchida pela lealdade de um amor confortante.
Querer o bem querer, cantar o canto que através de uma cantoria nos retrata a imortalidade de um momento. Seria de nós a certeza de que podemos nos possuir? De nos amar, de nos assumir, de nos encontrar em momentos cruciais para a nossa pretensão de amar, gozar a vida e dela se realizar?
Sonhar, viver, sorrir, e nunca partir. Querer, pedir, implorar, e sempre querer uma segunda oportunidade para ser feliz. Desejo, intimidade e retribuição nos fazem pensar no quanto seremos se pudermos. Somos o véu que esconde rostos, a certeza que deve ser revelada, a carne que através da sua prova nos remete o quanto precisamos de nos encontrar enquanto meros seres deste grandioso universo de soluções.
Quem nunca desejou ser agraciado? Quem sempre desejou a solidão como uma parceira confidente? Quem se arremessou sem mirar o alvo ao qual se desejava conquistar? Queremos as respostas, viver as certezas, sentir as múltiplas faces da realidade. Às vezes sofrer e às vezes se anestesiar pela satisfação de sermos e querermos, de pensarmos e falarmos, de amarmos e sermos amados, de vivermos e de nos consolidarmos enquanto meros fantoches da divindade suprema.
Em relação à supremacia dos deuses de galáxias infinitas, sejamos a divina coerência entre as mãos que nos coordenam, e as mãos que nos querem conter em terra firme, querendo cortar as cordas de uma ligação superior, no intuito de garantir o gozo de um espírito terreno, que já não precisa de tanta luz para os seus passos. Apenas um abraço amigo, um gesto de alegria, uma eternização do bem querer.
No caminho de nossas vidas, nossas trilhas, nossas vontades, nossos conceitos, tudo faz parte da diferença básica que nos remete à anunciação feita acima da montanha das verdades, somos o que nos faz acreditar que podemos, os atores que precisam de aplausos, os pais que só através de filhos que os amam se sentem confortados, o aperto de mão que necessita do calor de outra, a vontade que se realiza pelo seu saciar, o sonho que quando vira realidade se torna a constante realização pessoal que tanto desejamos.
Na loucura. Na sanidade. Na certeza de haver uma necessidade. Na incerteza de desejar o “talvez proibido”. Na fantasia de ser o agora, pensar o futuro e ouvir os passos que ainda não demos.
Todos são os seus próprios preceitos; tudo é sentimental; a realidade, uma eterna escrava de nossas reais pretensões; a fantasia, nossa “senhora” tão respeitada e que nos coordena através da vida; nosso tempo, a ampulheta que na sua cronologia nos indica os passos a serem seguidos; o sorriso, a gratificação dada aos deuses pela conquista, pelo amor e pela harmonia da beleza contida na satisfação.
Somos o grito, clamamos por vontades escondidas, em vestes, em sonhos e mesmo na mais remota idealização de vida: o nosso partido, a grande vez, o eterno pensamento que nos faz sonhar o tempo todo com situações que poderiam ser. Estamos para nós, estamos para todos, vida pra mim e pra ti, felicidade para aqueles e para os segundos que ainda não chegaram. Desejo, força, amor e esperança. Realizados estamos, e nos saciemos pelo quanto somos, pelo quanto fazemos e pelo quanto ainda faremos.
(*) Esta crônica foi escrita por Alessandro Borges no dia 18 de abril de 2003, relatando uma real explanação sobre um sentido para os nossos afagos....

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Dilúvio Voluntário

Saciamos a carne, o espírito e a vontade, em troca seria justo as me-ras casualidades de uma vida repleta de realizações. Temos tudo ao alcance de uma fera insaciável, porém quem dita as leis é o mundo, insano e cheio de conformismos. Somos luz, somos corpo, somos a evidência de um amanhã que não cessa. Somos carne, putrefamos sem o consumo de nossas vidas.
Quem quer saber as vontades que pertencem aos emancipados pela insatisfação, ora cansados, ora descontraídos, ora ignorados. Queremos a busca por algo que encante, de uma forma verdadeira e concisa. Quer se ter, se quer querer, se quer amar e sofrer numa sintonia que condiz com a coerência de uma realidade “real”, se quer entender o porquê de fatos totalmente indefinidos por mentes que se exaltam no egoísmo astral.
Quem dera ter os céus para celebrar algumas divindades, há quem queira vida para se consumir, há quem quer um casulo para sucumbir, há quem quer irradiar tristeza para se expandir. Poucos sãos e muitos completos de manias totalmente incoerentes e imperfeitas. Desistimos do inevitável, realçamos a insegurança e no final, quem se transforma em que? Luz e sombras denotando a irreal razão que pensamos ter...
...Quem somos para pregar a verdade de um mundo totalmente dinâmico. Excluímos as verdades e pensamos estar caminhando rumo à perfeição de uma jornada. Temos tudo, embora o nada seja mais promissor para nossas vidas.
Quais seriam as reais propostas de uma vida regada de incertezas quanto ao futuro: chula e sem propósitos, louca e sem porém, devastadora para nós mesmos. Queremos o “real abstrato”, o virtual que possamos pegar, o sentir que nos exalta, o amar para conhecer a pureza de qualquer sentimento.
Por quê nos fechamos em paredes mudas vingando a nossa eterna falta de percepção; qual a razão de um desencontro voluntário, qual a verdade de nossas próprias mentiras. Ontem o encontro com as divindades presentes em nós mesmos, amanhã a lisérgica objetividade que nos deixa na mais completa solidão...
...O casulo é abrigado por vestes que não cobrem nem mesmo a mínima parcela de nossa vergonha, como voltar à vida, semeando o inteligível mundo do caos seria uma opção totalmente inescrupulosa...Sanar, resolver e aperfeiçoar não condiz com uma vida em prol de uma segurança exacerbada, queremos nos apoiar em vidas concretas, tanto na individualidade quanto na coletividade...O giz de nossas vidas é dinâmico enquanto existem as boas causas, as reais virtudes, a experiência de uma unidade exclusiva, a vontade que não quer acabar...
...Quantos fatos apoderam de nossa clareza...Quantos anos passam em prol de minutos que desistimos de aperfeiçoar...Quantas noites se vão em prol de um momento singular... Quem dera ser perfeita a escolha por um mar calmo... Quem saberia as respostas para uma ilustre vontade de viver...Calar... Vingar... Realçar a angústia... Aprimorar a solidão... Refazer uma vida de realizações estúpidas e involuntárias... Quem sabe o que quer de verdade num mundinho que nos mostra a cada dia a imperfeição de nossos anseios? Seriam os loucos? Seriam os cativos? Ou seriam os medrosos?
Fuma-se a erva da iniqüidade e nem mesmo os pensamentos se completam... Procuramos vida, sentimento e sucesso... Pára aí? Creio que não... Pára em algum lugar? Talvez naquele que nos sentimos totalmente indefesos, o desconhecido mundo de nós mesmos.
Quem quer brincar de viver? Quem quer responder por um erro? Quem quer entender a realidade irreal de nossas vidas? Sofrer, sorrir, sentir, sair para fora de nosso eterno vazio? Quão grande é o poço de nossas virtudes... Por mais que se queira atingi-las, estamos longe de possuí-las...
...Quanta “realidade” expressa nossas “verdades”. Hoje assim, amanhã totalmente arrependido, hoje vida, algum dia a morte, que vem mesmo antes de um acontecimento eterno. Querer implodir a razão é realçar as imperfeições de uma loucura progressiva, lenta e duvidosa.
Quais seriam as cores de um arco-íris real? Quais seriam as vestes de uma musa sensual? Quem seriam os astros de um mundo casual? Qual seria a verdade de um sentimento natural abafado pela casualidade social?
Vive-se, deita-se num mundo cheio de diferenças. Ali o encontro, de um outro lado a ausência de qualquer fato condicional. Numa página a realização, na outra a insatisfação. O trabalho, a meta, a necessidade de perfeição; o que seriam? Nada, apenas a desculpa que assumimos pensando caminhar por uma coisa mais séria que nossas próprias vontades... Nosso consolo, nossa família, nossa “responsabilidade” por tudo que preocupa ao mundo racional e estúpido: nossa projeção vital regada à esquizofrenia de nossa ausência.
Vivemos ontem, e amanhã morremos em prol do que? Do tudo feito, do tudo conquistado ou do talvez realizado? Quem responde? É claro que ninguém, pois o que se busca é a abstração para um entendimento pessoal. Leva-se amor, rancor, ódio, afeição, e momentos eternos vividos de uma forma pura e singular... Leva-se a destreza, leva-se o pensamento e a realização de mentes que se encontram na necessidade mútua.
Quem quer viver se não por fatos realmente relevantes? Quem não quer sorrir nos momentos de angústia? Quais são os tolos que desprezam o verdadeiro caminho? Quem seriam os astros de uma vida realmente vivida?
Ora estes, ora aqueles, ontem sãos, hoje doentes...Quem é o que nesta jornada pela vida “correta”? Atropelam-se as “verdades”, grita-se a razão e no final a emancipação do nada, o próprio dilúvio voluntário.
Por quê? O que realmente se quer é viver, cantar uma canção que não cesse, sorrir para um mundo realmente prazeroso. Quais são as reais vontades de uma existência, quando se aniquila a força de um momento...Por quê? Para quê? Motivos que nunca nos deixam, e que não temos como controlar, porém algumas certezas nos consolam: a angústia de estarmos sozinhos nesta coletividade, atados aos nossos próprios braços, consumindo a nós mesmos numa tentativa de auto conhecimento. Vivemos, buscamos, e cada vez mais, não encontramos o real sentido para nós mesmos.
(*) Esta crônica foi escrita por Alessandro Borges no dia 30 de janeiro de 2002, relatando um reflexo sobre a "realidade" existente em nossos mundos....

terça-feira, novembro 29, 2005

O Rock & Roll, Sua Expressão e Seu Enfoque Cultural

A cultura que envolve a criação de uma expressão artística calcada na exposição de idéias se faz através de uma jornada pelo universo musical conhecido como underground, com sua origem na percepção de um contexto social e político, que se evoluiu gradativamente pelas trilhas seguidas pelo Rock & Roll.
Em relação à anunciação desta expressão, a pesquisa será orientada para uma evolução posterior aos anos 50, onde se deu a origem do termo rock & roll, denominado por dj’s da época, passando por apresentações televisivas e concertos mais reservados e voltados para o tradicional, sem um impacto social forte e audacioso, porém o começo do debate cultural aqui proposto.
Quer-se enfatizar o posterior à fusão do country com o rhitmin’ Blues, no intuito de um estudo da evolução do comportamento sucessor a astros como Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard, que precursionaram o começo de uma evolução cultural no comportamento social e musical, trabalhando com letras pouco expressivas, mas que já denotavam narrações de fatos, histórias e viagens, que incutiam na sociedade a preocupação em se questionar os valores tradicionais.
O ponto de interesse é a capacitação do rock como expressão social e política, tendo a partir dos anos 60, o condensar do pop à poesia, na capacitação do artista como um instrumento de idéias, de um veiculador de posturas, de uma revolução em constante mudança.
Através de Bob Dylan, nascido em Duluth, Minessota, o cenário Folk - a expressão folclórica americana nos anos 60, consolidada por ser a orientação de uma disciplina quanto ao patriotismo e mesmo um condensar de ideais políticos - ganha um contexto de associação entre vários artistas no intuito de uma revolução musical. São compositores modernos, vanguardistas, bluesmans e jazzistas se unindo para o nascimento de uma nova vertente musical em detrimento aos 50’s. O que se quer é garantir através da música, uma força que eleve o estado de espírito, a crítica e a mudança de comportamento.
Os cafés, referências para o patrocínio do espetáculo musical se tornam pontos de divulgação dos novos artistas, como é o caso do “Gás Like Café”, na Califórnia nos anos 60, que abarcava músicos de vanguarda e de experimentações e dava oportunidade aos artistas de uma aquisição financeira, normalmente adquirida através de “Cestinhas” passadas ao público.
O objetivo principal destes “novos artistas” é a conscientização social através da arte, sendo um dos marcos principais desta nova fase, a expressão artística da canção “Blowin’ In The Wind”, de maio de 1962, sendo composta por Bob Dylan e se transformando num hino da paz e da celebração ao pensamento humano, suas virtudes e seus propósitos.
Através de apresentações coletivas e comícios, o ideário folk, caracterizado pela sua ligação aos movimentos políticos e civis da época, os artistas se expressavam para um grande público, como ocorreu em Berkeley, na Califórnia, em 1964, reunindo artistas como Joan Baez, Bob Dylan e Richie Havens.
Sempre nos verões da década de 60, os cantores folk se reuniam no “Festival de New Port”, onde fãs se reuniam vindo de várias partes do país se associando aos compositores e músicos.
No verão de 65, no mesmo festival, Bob Dylan, aproveitando de todo seu prestígio, quebra a tradição da música folclórica, substituindo os instrumentos acústicos pela guitarra elétrica e equipamentos com uma potência acima da habitual utilizadas nos eventos folk, criando uma capacitação musical através da instrumentação advinda do Rock & Roll dos anos 50. Surge a valorização do conteúdo no universo do rock atribuído a Bob Dylan, o pioneirismo e a socialização da música.
O interesse de Bob Dylan pela guitarra elétrica surge através de um encontro com a rapaziada da Inglaterra, “Os Beatles”, em especial com Jonh Lennon. A diversidade de sons, distorções e melodias extraídas da instrumentação elétrica em associação com a composição de Dylan e outros, cria uma nova música, um novo protesto, um novo meio de expressão cultural, Quebrando barreiras e efetivando a conquista cultural adquirida pela liberdade do “Peace & Love” no começo dos anos 70.

“Bob Dylan exerceu total influência em tudo que veio depois dele, na música Pop, no Rock, no Folk e talvez no Rhitmin’ Blues”
Tom Petty, Músico;

“Bob Dylan é o Picasso do Rock & Roll”
Bono Vox, Músico.

A associação de Dylan com os beatles, mesmo que de uma forma virtual, realça a capacitação desta nova vertente musical, sendo Dylan na composição e beatles na música instrumental.
Através desta nova leitura de comportamento, e desta influência da música como um caráter expressivo da revolução cultural, vários simpatizantes se revelam participantes do contexto e em Julho de 1965 é lançada ao topo da “Billboard” a canção “Mr. Tamborine Man”, de autoria de Bob Dylan, interpretada com arranjos dos “the Byrds”, Marcando uma nova safra de músicos e artistas embasados pelo conteúdo e reflexão surgida do Rock & Roll.
Em resposta ao antigo folk temos a evolução do conceito de rock e valorização dos novos perfis e criatividade artística. São criados vários eixos culturais dentro e fora dos Estados Unidos, como Nova Iorque, primordialmente e depois Los Angeles, na Califórnia, se tornando um centro musical embasado na “Surf Music”, tendo sua representação nos “Beach Boys” e na condecoração ao litoral e à diversão, numa primeira instância.
Em 1967, os “Beach Boys”, numa resposta a evolução do artista como músico, lançam o disco “Pet Sounds”, que se torna o marco da associação entre a música inglesa e americana, lançando uma linguagem universal em relação ao estilo e alavancando o underground no cenário mundial, definindo a vontade de se quebrar os limites da música, tendo representações peculiares e um forte impacto nos dois continentes.

Fica claro o interesse dos artistas em seguir adiante, rumo ao desconhecido, ao acaso, à experimentação. No club londrino “bag Of Nails” Jimi Hendrix se apresenta pela primeira vez, explicitando o patrocínio inglês aos novos talentos do underground, que se torna uma nova liderança no cenário mundial em 1967.
No mesmo ano Hendrix, em seu retorno aos Estados Unidos, realça a mudança do cenário mundial, contribuindo para o “Monterrey pop Festival”, em Monterrey, Califórnia. O festival marca o início do ideário “Hippie”, transformando a Greenwich Village, local destinado a este novo público, num cenário de revolução cultural, onde a importância maior é a socialização, tornando o espetáculo totalmente independente do fator econômico, como também foi o caso do “Woodstock Festival” em 1969.
No Festival de Monterrey, apenas Ravi Shankar recebeu cachê, três mil dólares. Foi a primeira vez que Jimi Hendrix tocou para americanos, e a primeira vez que Ottis Redding tocou para brancos, o que definiu o espetáculo como um marco cultural, a consolidação da música negra à branca, a fusão de interesses comuns, e a idealização de uma sociedade baseada na liberdade de expressão.

“O Monterrey Pop Festival legitimou o Rock & Roll como forma de arte em concerto”
Al Kooper, músico.

A energia e a expressão artística advinda da evolução do Rock se torna a base para a revolução do pensamento, da sexualidade, da moda e da política.
Quando o “The Who” se apresenta no festival e fecha o espetáculo com a primeira quebradeira de instrumentos em palco, temos a garantia da música como protesto, e que seqüenciado por Hendrix na sua orgia elétrica - uma encenação sexual com os instrumentos e a música - temos o entretenimento e a sexualidade como alvo de referência quanto às apresentações e a titulação cênica no espetáculo destinado ao público.
“Do ponto de vista estritamente musical, a obra de Hendrix encerra a grande lição cultural do rock. Foi essa música que praticamente estabeleceu o método fundamental de criação da contracultura. Consiste basicamente em recolher o lixo da cultura estabelecida, o que é pelo menos, considerado lixo pelos padrões intelectuais vigentes, e curtir esse lixo, leva-lo a sério como matéria prima da criação de uma nova cultura. Misticismo irracionalista, filosofia oriental, astrologia, especulação metafísica, hedonismo primitivista etc., geralmente considerados bobagens infantis pelo melhor pensamento moderno, foram transformados nas principais disciplinas do underground”.1

A boêmia dita como idealismo hippie, se expande pelo planeta e através do Woodstock, consolida seu ápice enquanto legião de pessoas com afinidades musicais, políticas e ideológicas.
No cenário de uma fazenda em nova Iorque, de propriedade de Max Yasgur, são realizados três dias de evento, voltados para um público novo e sem nenhuma especulação financeira.
Anônimos se juntam a famosos e retratam o maior festival Hippie do planeta, onde a liberdade de expressão assume um caráter de revolução cultural. São novos valores morais, a reivindicação como um caráter pessoal do jovem, o idealismo crescente que perdura numa sociedade insatisfeita com as posturas tradicionais.
São contestados valores sociais, a guerra, a política e economia mundiais. A música assume um caráter de reivindicação, e através do hino americano tocado por Hendrix com distorsões de guitarra imitando bombas e tiros, no fechamento do espetáculo, retrata no povo a anunciação de um compromisso com os direitos humanos e civis.

É o ápice da contracultura2, que além de se manifestar pelo florescimento da cultura jovem dos anos 60, se concretizou “através de inúmeras manifestações surgidas em diferentes campos, como o das Artes, com especial destaque para a música, ou melhor, para o rock; o da organização social, aparecendo em primeiro plano à ênfase dada pelo movimento hippie à vida comunitária, na cidade ou no campo, e, ainda, o da atuação política”.3
O cenário do rock, consolidado, passa por outros festivais como o “Wight Island festival”, de 1970 e segue pela década perdendo sua força e dando espaço às novas tendências como o pop e o disco, ocorrendo uma dispersão do underground em vários estilos, tais como o Heavy Metal e o progressivo, além do glitter, na segunda metade dos anos 70 e o punk rock nos 80, caracterizado principalmente por um ideal de vida agressivo e por idéias anarquistas, mas que também se dispersa por falta de uma identidade forte, sendo absorvido pela indústria cultural, a partir do momento que a imprensa mundial o retrata como sinônimo de má reputação e vandalismo.

No Brasil o enfoque das experimentações tiveram suas origens na tropicália, principalmente através dos “Mutantes” a partir de 1968, sendo que várias bandas se associaram em prol da criação de uma cultura nacional de protesto. Os “Secos & molhados” eram um exemplo claro desta preocupação, tornando composições de Vinicius de Morais e outros compositores da MPB, como também um repertório próprio, um material proeminente à “jovem guarda”, sendo arranjado e especulado pelos artistas de forma a conter uma vontade na sociedade jovem, de que era possível ir além.
Após a “precursão”, o Rock Brasileiro foi seguindo rumos cada vez mais interessantes quanto à composição, e a reivindicação social. Criou-se uma “sociedade Alternativa” através de Raul Seixas nos anos 70, e o debate ideológico de Cazuza nos anos 80, além de várias bandas como “ultraje a rigor”, “Titãs” e “Paralamas do Sucesso”.
Um fato interessante ocorrido na tropicália, é a repulsa do público a Caetano Veloso, devido à introdução do rock à MPB, no intuito de realizar a revolução cultural brasileira, fato este ocorrido também com Bob Dylan, na quebra da tradição folk.
Voltando ao mundo global, nos anos 90, o contexto musical se ressalva pelo “Grunge”, movimento dos “Skatistas do Rock”, iniciado em Seattle, nos estados Unidos, tendo como representantes bandas como “Nirvana”, “Pearl Jam” e “Alice In Chains”. Portanto se caracteriza por ser um movimento em resposta a conjuntura atual, e tenta resgatar a imagem conquistada pelo rock nos anos 70, porém não vinga e cede lugar ao universo Pop, que perdura junto à música eletrônica no Universo Contemporâneo.
Hoje o “Hippie Rock” serve apenas à memória dos antigos e à satisfação dos novos carentes. Uma das causas desta eventual dispersão musical é a perda do enfoque cultural no Rock & Roll.
Nunca houve tanta especulação financeira pelas gravadoras e companhias fonográficas quanto à promoção de eventos e a falta de patrocínios sem fins especulativos, o que retrata no mundo contemporâneo a situação da música enquanto apresentação coletiva, um fato a cada dia mais distante da cultura e socialização.

Figura 1 – O estilo hippie, despojado e característico de uma época de manifestações.

Figura 2 – Woodstock Festival de 1969, definido como o maior evento do underground musical.

Figura 3 – Jimi Hendrix, durante apresentação no Woodstock Festival.

1 – Página 68. In: o que é contracultura.

2 – Termo inventado pela imprensa norte americana, nos anos 60, para designar um conjunto de manifestações culturais novas que floresceram em prol da contestação da tradição dos valores sociais e políticos. In: O que é Contracultura.

3 – Página 40. In: O que é contracultura.

(*) Este texto faz parte da monografia "Expressão Musical na Arquitetura – Rock & Roll, Underground e Ideologia", de autoria de Alessandro Borges, defendida na graduação do curso de Arquitetura & Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia em fevereiro de 2003.

Visão Geral

Quer se viver a virtude, sentindo a solitude que realce as verdadeiras intenções da carne. Os sons de uma nova proposta, o anseio saciado pela busca conquistada. Brilhar, forjar o aparecimento celeste em prol de uma emancipação profana.
Sorrir, sonhar, preparar o amanhã buscando na noite o néctar de uma sedução esplendorosa. Força, físico, beleza transcendental que se firma no espiritual. Matar a própria iniqüidade, ressuscitar a vontade de uma aceitação coletiva. Tocar, sentir, possuir qualquer vida em prol de uma possessão pessoal.
Acenar para incendiar o desejo exposto em olhos que ditam verdades involuntárias. Prazer, luz, plenitude que expõe almas como consumistas de um cosmo que se eterniza em momentos íntimos. Voamos para os céus, buscamos a visão geral, experiência, vida que simpatiza com respostas.
Anseio, liberdade para amar, planejamento para sanar qualquer dor. Sentimentos que se realçam na castração de virtudes ambíguas. Paz, temor, temperança que não se esvai. Encontro que traz à tona as reais significações de uma existência.
Onde foram parar os ciclos que circundam nossos momentos de alegria? Se quer viver a paz, o encontro com algo que permitimos ou não brilhar em um por do sol lindo e eterno. Quantas metáforas seriam necessárias para o realçar de um entendimento camuflado pela insegurança de uma selva. Mistério, sedução, compaixão, desejo e vontade de crescer rumo ao desconhecido mundo dos ausentes.
Quem quer ir ao encontro, quem quer falar de algo novo, quem quer se saciar através de um orgasmo mútuo? Todos, será? As chances são dadas pelo tudo em resposta ao nada, a batalha
de gigantes que não cessa até o desfalecer geral. Quem cai? Nós, eles, os outros que se vingam de qualquer silêncio voluntário. Medo. Plenitude. Sabedoria. Egoísmo. O tudo e nada no comando de uma existência completamente sombria.
Se quer querer, se quer se querer, se quer viver de querer ser querido. Quanta coisa a dizer àqueles e estes que noz fazem felizes e tristes. Se caminha, se segue, trilham-se caminhos, às vezes obscuros e às vezes tão claros que a cegueira surge como uma resposta aos nossos anseios. Vive-se a vida, exalta-se a morte, promove-se a exuberância de uma paz ilusória, quais são as razões de um livro sem consulta, de um amigo ausente, de uma voz que nega qualquer relação pessoal, queremos a realidade, o prazer, a energia que se dissipa, mas que sempre é gerada novamente, queremos luz, o cosmos e o karma camuflados em prol de um esconderijo atribuído a poucos personagens.
Viva os protagonistas, neles estão as respostas de toda uma existência, a virtude, a inocência, a sedução, o alcançar de um trajeto almejado. Sejamos os pais, ao invés dos filhos. Sejamos a alma à carne. Sejamos os céus ao inferno. Sejamos o diálogo ao monólogo. Sejamos a luz e esqueçamos as trevas. Paz, esperança, amor e um pouco de loucura é claro!
(*) Esta crônica foi escrita por Alessandro Borges no dia 21 de fevereiro de 2002, relatando uma visão geral sobre a nossa existência....